Nossos sábios comparam o ser humano a uma árvore do campo. E assim está escrito na parashá desta semana “ki haadam etz hasade – pois o homem é uma árvore do campo...”.
O primeiro sábio que fez esta comparação foi o Maharal de Praga (que viveu entre os anos 1520 e 1609 e era o rabino da cidade de Praga, na Tchecoslováquia). Em alguns lugares de seus profundos livros, ele explica que a base para esta comparação está no próprio nome “adam” – homem.
Há no Midrash um diálogo entre Adam Harishon e Hakadosh Baruch Hu, onde Adam argumenta que deve ser chamado de “Adam”, pois foi criado da terra – “adamá”. Mas, teoricamente, isto nos parece estranho, pois não somente adam foi retirado da terra, mas também todos os animais.
Portanto, o que Adam possuía de especial que o fez receber um nome relativo ao lugar de onde foi criado? Explica o Maharal que o motivo pelo qual o homem recebeu este nome não é o fato dele ter sido criado da terra, e sim, o fato de suas características serem parecidas com as da terra.
O que faz da terra algo especial são as forças que ela possui. A partir do momento que você introduz uma semente na terra, ela a transforma em plantas, frutos e árvores. E esta é a função da terra – transformar seu potencial em realidade, retirar a força que está escondida dentro dela. E assim também é o homem. Sua função é pôr para fora todas as suas forças ocultas, transformando potencial em realidade! Portanto, da mesma forma que, quando a árvore produz frutos defeituosos, pode-se dizer que ela não está cumprindo com seu dever, também quando um homem produz atos (seus frutos) ruins, não está cumprindo sua função neste mundo. Este é o motivo pelo qual chamamos um homem que não estuda torá de “bur” – inculto, do mesmo modo que chamamos um terreno baldio, onde não há plantação, de “admat bur”.
Finalmente, podemos entender por que os animais não são chamados de acordo com o nome “adamá” – terra, apesar deles também terem sido criados dela, exatamente como Adam. O animal veio para o mundo já completo, ele não pode melhorar, nem desenvolver suas qualidades –
ele não possui as mesmas características da terra. Por isso, animal em hebraico é “behemá”, palavra que quando dividida ao meio transforma-se em “bá-má?”, que significa: o que tem nela? Ele já nasce perfeito e não há o que ser modificado, ao contrário do homem, que desde seu nascimento,
até sua morte, encontra-se em processo de aprimoramento e conserto de suas qualidades, sem descanso.
No momento em que nos encontramos – começo dos dias de teshuvá e preparação para os Yamim Noraim – o passuk “o homem é uma árvore do campo” recebe um significado especial. O homem não é chamado de colheita do campo, mas sim, de árvore do campo, nos ensinando que nós não necessitamos de nenhuma época específica para arar e semear novamente, não precisamos procurar forças novas a cada vez que quisermos trabalhar nossas qualidades, as forças já se encontram dentro de nós, como uma árvore. Este é o significado da palavra “teshuvá” – retorno à fonte! Não algo novo, mas sim, volta àquelas forças puras que já estão dentro de nós. Assim, através da teshuvá, o homem poderá voltar a usar suas incríveis forças para se aproximar de Hashem!

Shabat Shalom
Rav Netanel Tzippel

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