HALACHÓT DE SHEMÁ ISRAEL

Shemá Israe é a reza mais importante e mais conhecida entre os judeus. Por que ela é tão importante? Sobre o que ela fala?
No Shemá estão presentes as bases do judaísmo. Temos a obrigação de recitá-lo duas vezes por dia – uma de manhã e outra à noite. Costumamos também recitar uma terceira vez antes de dormir. Antes de recitá-lo cobrimos nossos olhos com a mão direita e devemos pensar em cumprir o mandamento da Torá de recitar o Shemá.
O Shemá da manhã deve ser feito obrigatoriamente até a terceira hora do dia. Se passar deste horário já não cumprimos mais a mitsvá da Torá de recitarmos o Shemá, mas sim, estamos lendo como quem lê uma parte da Torá (que também é mitsvá, mas não a mitsvá de ler o Shemá). Caso na reza da sinagoga a leitura do Shemá for feita após este horário, devemos ler o Shemá em nossas casas antes de irmos à sinagoga, pois só assim cumpriremos a mitsvá da Torá. Mesmo que o Shemá já tenha sido recitado em casa ele deve ser recitado uma novamente na sinagoga junto com todos. O Shemá à noite deve ser recitado a partir da saída das estrelas.
A primeira vez que vemos o Shemá Israel na Torá foi quando os filhos de Yaakov se juntaram em volta de sua cama antes de sua morte e afi rmaram: “Ouve Israel (Yaakov que também era chamado de Israel) o Eterno é nosso D’s o Eterno é um”, afirmando assim que todos estavam no caminho correto. Assim, o Shemá vem nos lembrar sobre o caminho que devemos seguir.
Esta reza começa dizendo: Shemá - Ouve/entende, Israel (inclusive eu) Hashem - o Eterno Elokeinu - é nosso D’s (automaticamente tenho obrigação de respeitá-lo e cumprir seus mandamentos) Hashem - o Eterno Echad – é um (único). Após esta frase dizemos em voz baixa uma frase com a qual os anjos louvam a D’s, abençoando ao nome de D’s cujo reinado é para sempre. (somente em Yom Kipur podemos dizer esta frase em voz alta, pois estamos no nível dos anjos). Para cumprirmos a mitsvá da Torá é obrigatório o entendimento do versículo citado acima.
Depois destas duas frases começamos falando sobre a obrigação de amarmos a D’s. Este sentimento é fundamental, pois somente com amor chegamos à alegria. Quando amamos fazemos e damos o melhor de nós com alegria da mesma forma que os pais dão o melhor de si para seus filhos e com muita alegria. No Shemá está escrito que este amor deve ser com todo nosso coração (nossa vontades), com toda nossa alma (mesmo quando D’s estiver tirando nossa alma) e com todos os nossos bens (utilizando nossas posses para o bem).
Por este motivo, logo depois de Rosh Hashaná (dia do julgamento) e Yom Kipur (dia do perdão), vêm as festas de Sukot e Simchat Tora. Vemos que tanto em Rosh Hashaná quanto em Yom Kipur o que prevalece é o temor e não o amor a D’s, pois estávamos sendo julgados e carimbados. Porém, uma vez que o ideal é trabalharmos a D’s com amor e alegria, como vimos no Shemá, vem a festa de Sukot, na qual nos lembramos de todo o amor de D’s quando no tirou do Egito e nos guiou no deserto com a proteção das nuvens, comida e água de forma milagrosa, etc. Assim, a mitsvá de Sukot é Vessamachta bechaguecha vehaita ach sameach – e ficarás feliz na sua festa e estarás somente feliz.
Assim também em Simchat Torá, quando dançamos com a Torá, revelamos nosso amor e felicidade com o livro sagrado que Hashem nos deu. Por este motivo, temos Hoshaná Rabá (última chance de mudarmos nossos decretos) no último dia de Sukot – agora que já temos, além do temor a D’s, também o amor, este se torna mais um fator ao nosso favor neste dia. Por isso, ficamos a noite inteira estudando Torá e, através disso, demonstramos nosso amor a D’s.

Rav Benjamin Zagury

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